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Gratidão

Agradeço por tudo: pelo grão de arroz que como, pela lucidez em aprender com a derrota, pela minha integridade física que me dá liberdade, pelo dia que terminou bem, sem qualquer tragédia, pelos que me amam e pelas pessoas, como você que lê esta linha, que cruzam a minha vida. São dádivas valiosas de que não nos damos conta, mas que outros dariam tudo para ter essa nossa mesma sorte diária.

Realização

A nós cabe apenas a dedicação disciplinada e focada de longo prazo, buscando soluções criativas para superar os desafios de múltipla natureza que aparecerão. Isso porque sucesso é uma fórmula matemática muito simples: preparo + oportunidade. Assim, quando a oportunidade se apresentar - o que muitas vezes acontece quando menos esperamos - o sucesso se realizará.

Solidariedade

Todos ganhamos quando decidimos doar parte do nosso tempo, por menor que seja, por mais atarefada que seja nossa agenda, para ajudar alguém, seja quem for, onde for, no que for. Todos ganham, mas, na verdade, quem se doa é o maior vencedor, porque todo o bem feito ao próximo se reverte para nós mesmos, multiplicado.

Disciplina e lazer

Ocorrências que, para mim, não são mutuamente exclusivas e que sempre me acompanharam. Creio que, se quisermos alcançar nossas metas, devemos encontrar a dose certa para equilibrar disciplina e lazer em nossa vida. Haverá projetos em que precisaremos maior dose de disciplina, já, em outros, de lazer, mas ambos, disciplina e lazer, deverão coexistir, simplesmente porque somos humanos.

CLAUDIA ASSAF


Claudia Assaf nasceu no Rio de Janeiro em 1971. Ingressou na carreira diplomática em 2006. Mestre em Diplomacia pelo Instituto Rio Branco, Bacharel em Matemática pela UFRJ e Relações Internacionais pela UniEuro/DF, a diplomata Claudia Assaf serviu nas Embaixadas do Brasil no Catar; na Missão do Brasil junto às Nações Unidas em Nova York; na Embaixada do Brasil no Reino da Arábia Saudita; e, atualmente, está em missão na Embaixada do Brasil no Kuwait, com jurisdição cumulativa com o Reino do Bahrein. Em 2013, fundou a consultoria Dicas da Diplomata, pela qual oferece, em bases voluntárias, orientações diversas a aspirantes à carreira de diplomata pela fanpage homônima no Facebook e comenta redações de forma personalizada. É autora de Diário de Bordo - um voo com destino à carreira diplomática, com mais de dois mil exemplares vendidos. Acredita que o sucesso é consequência natural de esforço árduo acumulado no longo prazo.

Meus múltiplos papéis


A consultora

Desde o período colegial, eu me via rodeada de colegas a quem eu costumava explicar as matérias. Quando os colegas tiravam nota alta e vinham me agradecer, afirmando que a nota alta foi graças ao modo como eu havia explicado, isso me realizava como pessoa. Alguns chegavam a me dizer que a minha explicação era melhor que a do professor! Eu ficava muito feliz. Assim, desde muito nova, percebi que ajudar os demais mostrando como eu entendia o assunto era o que de fato me realizava. Mesmo depois de ingressar na carreira diplomática, ofício com o qual igualmente me identifico, ajudar o próximo por meio do compartilhamento de conhecimento que adquiri em minhas próprias lutas pelo alcance das minhas metas se tornou um vício. As consultorias que ofereço aos aspirantes à carreira diplomática é um de meus mais queridos “hobbies”. Assim continuarei conduzindo a minha vida: dividindo com os que tiverem interesse as minhas descobertas nas mais diversas áreas.

A diplomata

Atuar como diplomata vem sendo uma das minhas maiores realizações profissionais, por causa da multiplicidade de tarefas que venho realizando desde que assumi minhas funções no Itamaraty. Ao servir na Secretaria de Estado, em Brasília, atuei na Divisão de Oriente Médio, quando pude me aprofundar nas temáticas daquela região geográfica, especialmente no que respeitava às relações bilaterais de cada país do Levante com o Brasil. Atuar em Embaixadas do Brasil, por sua vez, vem me permitindo não só conhecer de perto as demandas de brasileiros vivendo no exterior e buscar sempre ajudá-los, nos termos da lei, mas também aprofundar o conhecimento a respeito do país que cubro e suas relações com o Brasil, identificando oportunidades para nosso país e para a sociedade brasileira. Já com a oportunidade que surgiu em servir na Missão Permanente do Brasil junto às Nações Unidas, em Nova York, de 2012 a 2014, pude participar ativamente da dinâmica de sustentar posições brasileiras em meio aos outros 192 países que fazem parte da ONU, especificamente nos temas da agenda da Segunda Comissão da Assembleia Geral - experiência ímpar de que jamais esquecerei. Para não mencionar que, a todo tempo, lidamos com pessoas as mais diversas, e temos a oportunidade de diariamente exercitar os idiomas que aprendemos, em especial a língua árabe, cujo aprendizado foi desafiante, mas compensador. Se pudesse escolher de novo a minha profissão, definitivamente a carreira diplomática seria a minha primeira opção.

A empreendedora

O empreendedorismo digital foi a solução que encontrei para continuar contribuindo ao compartilhar conhecimento que adquiri em minhas mais diversas experiências rumo ao alcance de minhas metas. Ao empreender, consigo fazer o que sempre fiz, mas desta feita em escala, graças à tecnologia da informação. Há custos, é verdade, além de demandar mais de meu tempo, que, de outra forma, estaria sendo usado com a família; no entanto, poder ajudar o maior número de pessoas possível, interessadas no que eu tenho para dividir, é uma das atividades que mais me realizam como ser humano, e, realizada, posso ser ainda mais útil à minha família, sem cujo apoio integral o projeto do Dicas da Diplomata não existiria.

A escritora

Minha primeira experiência como autora de livro não-ficcional veio com Diário de Bordo - um voo com destino à carreira diplomática, espécie de autobiografia com destaque ao período de minha vida em que me preparei para ser aprovada no concurso de admissão à carreira diplomática (CACD). Desde 2013, ano de lançamento, já vendeu mais de dois mil exemplares - nada mal para uma estreante nessa seara. A excelente crítica que venho recebendo vem me motivando a lançar outras obras em temas diversos, sempre tendo por base a superação dos desafios que enfrentei para alcançar metas diversas.

A filantropa

Jamais será pela falta de recursos financeiros que a pessoa interessada em ouvir ou ler o que eu tenho para compartilhar deixará de fazê-lo. Estarei sempre atenta para esse contingente, que poderá me encontrar por meio do e-mail de contato do portal, administrado tão somente por mim. Garanto discrição e agradeço pela honestidade.

A mãe

A maternidade apresentou-me a uma dimensão da vida absolutamente por mim desconhecida. Fui mãe pela primeira vez aos 34 anos de idade. Até então não tinha qualquer vontade de parar meus projetos para ser mãe, mas, admito, sempre tive a curiosidade em ver o rosto de alguém que tenha brotado dentro de mim. Essa curiosidade - ou instinto materno - ficou insuportável quando cheguei a uma idade que demandava de mim uma decisão. Como sou uma mulher que prefiro me arrepender do que fiz a me arrepender do que não fiz, decidi tentar o filho, sempre com a gratidão que me acompanha de eu ter tido a liberdade de escolher o meu momento para esse projeto, dado o companheirismo incondicional que meu amado marido sempre me dedicou. O fascínio com a maternidade não conseguiu se limitar a um só filho, e outros dois vieram. Se o combustível faz o carro andar, a felicidade decorrente do inexplicável amor que sinto pelos meus filhos faz todas as demais áreas de minha vida caminharem com a motivação sem a qual eu estagnaria. Sozinha, eu alternava momentos felizes e tristes, e achava que me conhecia; mas com a chegada de minha família, as tristezas ficam muito pequenas em face do tamanho da felicidade que o amor traz, e eu passei a me conhecer por completo, integralmente - vendo que sou capaz de fazer tarefas que antes eu jamais imaginava - como ficar acordada toda uma noite com uma criança doente e, ainda assim, no dia seguinte, produzir ao máximo no trabalho, simplesmente porque vi que, pela manhã, o filho havia sarado. Esse mundo que não conhecia me foi apresentado na prática, e meus professores que vêm me ensinando tudo acerca desse novo mundo são os meus filhos.

A mulher

Cresci ouvindo frases que, hoje sei, só me eram ditas por causa do estereótipo discriminador que a sociedade machista em que vivemos determina contra nós, meninas e mulheres. A frase campeã ao longo de minha vida escolar era a clássica “Apesar de bonita, você é inteligente”. Já outros contextos, ainda mais pífio, como “quer sentar aqui no colinho do tio” (estranhos na rua falando para mim quando eu passava, na pré adolescência e adolescência, fazendo que eu atravessasse as ruas em ziguezague para desviar de grupinhos de machistas, e, assim, me poupar de ouvir essas lástimas etc. Se o fato de repudiar esse tipo de atitude é ser feminista, pode me rotular de feminista, não me incomodo. Não queria mais que nenhuma menina ou mulher no mundo ouvissem essas frases na vida. Se você me segue por aqui, homem e mulher, vamos, juntos, unir forças para difundir a consciência naqueles a nossa volta, de que meninas e mulheres são seres humanos como outro qualquer, e, só por essa condição, merecem respeito, independentemente da roupa que vistam ou do que fazem; não podemos ser confundidas com objetos. Assim, se você, homem, estiver lendo essas linhas, retire-se da roda de amigos que comentar a respeito da “gostosa que entrou no recinto”; ou tome a iniciativa de valorizar o comentário inteligente da colega de trabalho que todos os demais ignoraram na reunião, só por causa de sua condição feminina - o que acontece em todo local de trabalho de nossa sociedade machista, Itamaraty não raras vezes incluído. Consciente da capacidade que desenvolvi por meio de meu esforço pessoal, vejo, hoje, claramente, que Eduardo Galeano tem toda razão, quando afirmou que “o machismo é o medo dos homens das mulheres sem medo”. Igualdade de gênero e respeito às meninas e mulheres já.

A tradutora

O fascínio por línguas acompanha-me desde a mais tenra idade. Recordo-me muito bem que, quando eu era criança e, por acaso, via alguém falando em inglês ao meu lado - o que era raríssimo - eu ficava fingindo que precisava estar ali perto dessas pessoas, mas na verdade eu só queria ficar escutando. Cresci também ouvindo meus avós falando em árabe, mas não entendia nada, e eles faleceram quando eu ainda era muito nova. Consegui estudar inglês em um cursinho que tinha no meu bairro, no subúrbio do Rio de Janeiro, e, já adulta, estudei a fundo a língua árabe, por meio de uma bolsa de estudos na Síria, em que tive de arcar apenas com a passagem aérea. Traduzir, tendo o português como língua alvo, é um outro hobbie que cultivo, ao estudar as diferentes técnicas existentes e superar os desafios dessa arte, em especial as técnicas da tradução simultânea. Se existe uma dica para adquirir a fluência, não poderia haver outra, senão praticar por meio da imersão em contextos onde só se fale aquela língua. Há intercâmbios de baixíssimo custo pelo mundo todo, bastando que o interessado pesquise e encontre como realizar essa empreitada, especialmente nos dias atuais, com o advento da internet.

A voluntária

Por acreditar na sinergia trazida pela solidariedade mútua, entendo que o voluntariado seja a solução para fazer o próximo crescer, e, ao fazê-lo, também evoluímos como pessoa e aprendizes. Já experimentou doar parte de seu tempo para ler um livro para uma pessoa cega? Ou ensinar uma matéria para algum estudante ou colega que tenta o mesmo concurso que você? Ou apenas escutar alguém que precisa falar algo, mesmo que não seja de seu interesse direto?